Desligamento
Pesquisa demissional: o que fazer com os motivos de quem está saindo
Por Sybrand W Reinders, CEO do Grupo ARC3 · Publicado em · 5 min de leitura

Resposta rápida
Pesquisa demissional é o questionário feito com quem está saindo, para entender o motivo da saída. Ela só vale a pena quando as respostas são consolidadas e viram ação. No Mapa do RH e DP 2026, da Sólides com a Offerwise, 72% das empresas já aplicam a pesquisa nos desligamentos voluntários, e 34% não fazem nada com o resultado.
Ouvir quem sai já virou rotina
A pesquisa demissional pergunta a quem está deixando a empresa por que decidiu sair e como avalia liderança, carga, carreira e remuneração. É diferente de uma conversa solta no último dia: as perguntas são as mesmas para todo mundo, e as respostas ficam registradas para serem lidas depois, em conjunto.
O Mapa do RH e DP 2026, pesquisa da Sólides com a Offerwise feita com 401 profissionais de RH e DP entre 10 e 17 de abril de 2026, mostra que a prática já é maioria: 72% das empresas aplicam pesquisa demissional nos desligamentos voluntários. O furo está no passo seguinte. 34% coletam as respostas e não tomam nenhuma atitude.
Por que as respostas param na gaveta
- Cada saída gera um formulário diferente, em e-mail ou planilha, e ninguém compara um mês com o outro.
- O RH coleta, e não há um dono para levar o padrão às lideranças com prazo.
- A pergunta é genérica ("por que você saiu?") e a resposta também fica genérica.
- O desligamento é corrido: documentos, acessos e último dia ocupam a agenda, e a escuta fica para "quando der".
O mesmo estudo aponta que 6 dos 8 principais motivos de pedido de demissão estão ligados a gestão e cultura: excesso de trabalho, falta de plano de carreira, liderança e condições de trabalho. São causas que a empresa consegue mexer. Uma proposta melhor da concorrência, nem sempre.
O que perguntar
Um bom questionário mistura alternativa fechada, para comparar áreas e períodos, com um espaço curto para a pessoa explicar com as próprias palavras. Cinco temas cobrem o essencial:
| Tema | Pergunta |
|---|---|
| Motivo decisivo | Qual fator pesou mais na decisão de sair? |
| Liderança | Como você avalia o retorno que recebia do seu gestor? |
| Carga | O volume de trabalho cabia na jornada? |
| Carreira | Você via um próximo passo possível aqui? |
| Remuneração | O pacote estava alinhado ao que você encontra no mercado? |
Vale fechar com duas perguntas diretas: voltaria a trabalhar aqui, e indicaria a empresa para alguém. Elas resumem a experiência melhor do que uma nota solta. Avise o que será identificado e o que será lido só de forma agregada. Quem está saindo fala com mais franqueza quando sabe quem vai ler o texto.
Como transformar resposta em ação
- Use o mesmo questionário em todos os desligamentos voluntários, dentro do fluxo de saída, e não num formulário à parte.
- Uma vez por mês, conte os motivos por área, cargo e gestor. Três saídas pelo mesmo motivo já são um padrão.
- Leve o padrão ao gestor da área, com uma ação e uma data. "Melhorar a liderança" não é ação. "Reunião 1:1 quinzenal nesta equipe, a partir de novembro" é.
- Olhe também os desligamentos por iniciativa da empresa. Várias saídas por adaptação ou desempenho no início apontam para a contratação ou para a integração, não só para quem pediu para sair.
- Conte ao time o que mudou por causa do que foi dito. Sem esse retorno, a próxima pessoa trata a pesquisa como protocolo.
Em grupos com várias empresas, o padrão aparece no conjunto
Cada empresa do grupo faz o próprio desligamento, com o próprio RH. Isolada, uma saída parece um caso. Somadas, as mesmas queixas de liderança ou de carga revelam um problema do grupo, não de uma unidade.
O cuidado é manter a leitura agregada quando a equipe é pequena. Num time de quatro pessoas, o texto aberto identifica quem falou. Nesses casos, o RH guarda o detalhe e compartilha com a liderança só o motivo, sem o relato.
Como saber se a escuta está funcionando
| Indicador | O que mostra |
|---|---|
| Desligamentos voluntários com pesquisa preenchida | Se a escuta acontece em toda saída, ou só quando sobra tempo |
| Motivos que se repetem por área | Onde a ação precisa chegar |
| Turnover da área depois da ação | Se o ajuste reduziu as saídas ou só trocou o motivo |
| Saídas nos primeiros meses | Problema de contratação ou de integração, não de retenção de longo prazo |
Perguntas frequentes
O que é pesquisa demissional?
É um questionário aplicado a quem está deixando a empresa, com as mesmas perguntas para todos, para entender o motivo da saída e a percepção sobre liderança, carga, carreira e remuneração.
Qual a diferença entre pesquisa demissional e entrevista de desligamento?
A entrevista é a conversa. A pesquisa é o roteiro padronizado dessa conversa, com respostas que podem ser comparadas entre pessoas, áreas e meses. As duas funcionam juntas: a pessoa fala, e o RH fica com um registro comparável.
A pesquisa demissional precisa ser anônima?
No desligamento de uma pessoa, o anonimato completo é difícil, porque o RH sabe quem está saindo. O que dá para garantir é como o relato será usado: o texto aberto fica restrito, e a liderança recebe o motivo agregado, principalmente em equipes pequenas.
O que fazer com os desligamentos involuntários?
Eles também informam. Quando várias saídas por iniciativa da empresa acontecem por baixa adaptação logo no início, o ajuste está no recrutamento ou na integração, não só na retenção de quem pede demissão.


