Integração
Os primeiros 90 dias: o que a admissão não cobre
Por Sybrand W Reinders, CEO do Grupo ARC3 · Publicado em · 5 min de leitura

Resposta rápida
Os primeiros 90 dias são o período em que a pessoa decide se fica. A admissão encerra contrato, exame e registro. A integração cobre o acesso na primeira semana, o combinado com o gestor no primeiro mês e a decisão no fim do contrato de experiência. Sem dono e sem data, a saída precoce chega como surpresa.
A admissão termina quando a pessoa começa
O checklist de admissão fecha no primeiro dia: contrato assinado, exame feito, registro enviado. No dia seguinte, o acesso não chegou, o documento que faltou continua pendente e o gestor entende que a integração acabou na assinatura. Noventa dias depois, a saída parece repentina. Ela foi se formando desde a primeira semana.
Admissão é o ato de contratar. Integração é o que a pessoa vive até o fim do contrato de experiência: com quem fala, o que se espera do cargo e se a pendência do primeiro dia foi resolvida. Uma não substitui a outra.
Um roteiro de 30, 60 e 90 dias
Trinta, sessenta e noventa dias são um ritmo de gestão, não um artigo da CLT. Servem para usar a janela do contrato de experiência, que não passa de 90 dias somada a prorrogação. O roteiro abaixo cabe na maioria dos cargos. Cada empresa corta o que não se aplica e mantém as datas.
| Marco | O que já aconteceu |
|---|---|
| Primeira semana | Acesso, equipamento, apresentação ao time e pendência de documento visível para o RH e para a pessoa |
| 30 dias | Gestor e colaborador combinaram o que é um bom trabalho neste cargo, e a pessoa sabe a quem pedir ajuda |
| 60 dias | Uma conversa sobre o que encaixou e o que ajustar, ainda com tempo de corrigir |
| 90 dias | Decisão registrada: a pessoa fica, o combinado muda ou o contrato de experiência se encerra |
Quando o contrato é de 45 dias, prorrogáveis por mais 45, a conversa do dia 30 prepara a decisão de prorrogar. A do dia 90 continua sendo o fechamento. As duas têm data na agenda de quem gere, não na memória do RH.
Onde o plano informal quebra
- O colega que "recebe" a pessoa não tem pauta. A primeira semana vira um tour pela sala.
- O acesso e o equipamento chegam no segundo ou no terceiro dia, e o trabalho começa pela espera.
- O documento que faltou na admissão segue aberto, e ninguém olha o status até uma auditoria ou uma segunda cobrança.
- O gestor trata a assinatura do contrato como o fim da integração e só conversa de verdade no último dia do experiência.
- O comunicado de chegada vai para o grupo de mensagem e some no dia seguinte. Quem entrou na semana de folga de metade do time não foi apresentado.
O contrato de experiência é o prazo, não o roteiro
O contrato de experiência não pode passar de 90 dias, somada uma única prorrogação. Dentro desse prazo, empresa e pessoa ainda estão se escolhendo. A forma de encerrar, se for o caso, fica com o departamento pessoal. O papel do RH é fazer a conversa acontecer antes do último dia, com o que foi observado no trabalho, não com uma impressão reunida na véspera.
Saída nos primeiros meses aponta para a contratação ou para a integração. A pesquisa de quem sai mais tarde mostra outra coisa: liderança, carga, carreira. Misturar as duas leituras faz o RH ajustar o anúncio da vaga quando o furo estava na primeira semana, ou o contrário.
A primeira semana é de cada empresa
Num grupo, a pessoa começa numa empresa, com um gestor e um time. Acesso, apresentação e o 1:1 dos 30 dias são dessa unidade. A holding não conduz um rito único de boas-vindas para marcas diferentes.
O que a holding acompanha é mais seco: documento ainda aberto no primeiro mês e se a pessoa continua no quadro aos 90 dias. O conteúdo da conversa fica com o gestor.
Como saber se a integração segurou a pessoa
| Indicador | O que mostra |
|---|---|
| Saídas antes de 90 dias | Se o problema está na contratação ou na integração |
| Documentos ainda abertos no primeiro mês | Se a admissão fechou de verdade |
| Conversas de 30 e de 90 dias realizadas | Se o roteiro saiu da intenção |
| Pedidos de ajuda sem um dono | Se a pessoa sabe a quem recorrer |
Perguntas frequentes
O que é a integração de um novo colaborador?
É o que acontece depois da admissão, até a pessoa conseguir trabalhar e saber o que se espera dela. Inclui acesso, apresentação ao time, pendências de documento e as conversas com o gestor ao longo do contrato de experiência.
Os marcos de 30, 60 e 90 dias são obrigatórios?
Não são um prazo da CLT. São um ritmo para usar a janela do contrato de experiência. O que a lei limita é esse contrato: no máximo 90 dias, somada uma única prorrogação.
Quanto tempo dura o contrato de experiência?
Até 90 dias no total, incluindo a prorrogação, que só pode ocorrer uma vez. Um desenho comum é 45 dias, prorrogáveis por mais 45. A conversa do dia 30 prepara essa decisão de prorrogar.
Quem é o dono da integração?
O gestor é dono das conversas de 30, 60 e 90 dias. O RH é dono do ritmo e das pendências: documento aberto, acesso, comunicado de chegada e a cobrança de que a conversa aconteceu. A pessoa precisa saber a quem recorrer na primeira semana.


